DECEMBER 9, 2022
GERAL

NOTA DE REPÚDIO - CONTRA A FALTA DE SOLIDARIEDADE DO DELEGADO PARA COM UM INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL 

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NOTA DE REPÚDIO - CONTRA A FALTA DE SOLIDARIEDADE DO DELEGADO PARA COM UM INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL 

O Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (SINDPOC), vem por meio desta nota lamentar profundamente o fato ocorrido com o colega, no último dia (22.01), investigador da Polícia Civil Rui Cardoso Gomes, lotado na 8ª Delegacia, no CIA, que vindo da cidade de Vitória da Conquista, passando por Jequié foi acolhido pelo Escrivão que estava no plantão, mas encontrando com o Delegado José Fonseca ouviu palavras desonrosas, agressivas e ofensivas, na direção de não oferecer abrigo e estadia ao mesmo sendo que ele teve negada a possibilidade de tomar um banho e ter um local seguro para pernoitar, até que no dia seguinte pudesse continuar sua viagem à Salvador.

O SINDPOC questiona a que ponto chegamos para que, em pleno século XXI, presenciemos um fato dessa natureza, onde um colega Investigador é humilhado pelo senhor Delegado dentro das instalações de um ambiente gerido pela Polícia Civil do Estado da Bahia. Não há qualquer diferença entre os servidores que realizam as honradas funções de Investigador e Delegado, além do abismo salarial que rege o classismo dentro da instituição, nada que justifique tamanhos destempero e grosseria. 

A própria Bíblia, no antiquíssimo livro do Deuteronômio, indica que se deve prezar pela equidade no julgamento, repudiando a acepção de pessoas. Diante desse fato, restam algumas perguntas: a quem interessa essa segregação dentro da instituição? Será que a senhora Delegada-geral Dra. Heloisa Campos não está vendo essa situação? Onde iremos parar?

Entre os beduínos havia o costume de, quando uma pessoa que caminhou por quilômetros chegasse em seu lar, lavar-lhe os pés, dar-lhe alimentação, oferecer-lhe um canto para dormir e, no outro dia, acompanhar-lhe por cerca de três quilômetros, até que estivesse em segurança para continuar seu caminho. Esta conduta, por mais que estejamos vivendo “tempos difíceis” deveria ser uma prática corriqueira entre integrantes de uma - mesma - Categoria. O “apartheid” salarial cria tensões e distinções que não fazem jus ao trabalho exercido por servidores que, além de desvalorizados financeiramente com salários incompatíveis com suas atribuições, são também subjugados moralmente.

Por fim, a entidade sindical representante dos policiais civis da Bahia, expressa seu repúdio ao tratamento dado ao colega IPC Rui, e reitera a importância do debate sobre a regulamentação do Salário de Nível Superior, que além de valorizar Investigadores, Escrivães e Peritos Técnicos, fortaleceriam a classe no combate à sistêmica opressão que vigora em unidades da Polícia Civil do Estado da Bahia sem que as lideranças se sintam pressionadas a mudar as dinâmicas de castas “sócio-econômicas” que seguem funcionando sem grandes incômodos.

O SINDPOC conclama a categoria para aderir à luta pela Regulamentação do Salário de Nível Superior, um direito dos servidores, que embora nunca aplicado, está previsto na Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado da Bahia, nº 11.370/2009, em seu artigo 46, parágrafo 1º. Não devemos aceitar ser destratados por uma suposta superioridade de administrativa, tampouco por distinção salarial. Exigimos respeito, o fim do abismo salarial e declaramos que somos todos iguais dentro da instituição Polícia Civil, e temos uma única e exclusiva missão, servir a sociedade baiana da melhor maneira possível.  

 Att: Diretoria do SINDPOC

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