SINDPOC participa da primeira CONSEG em Brasília
O SINDPOC participou da 1ª CONSEG, realizada em Brasília, entre os dias 27 e 30 de agosto, com um número significativo em sua delegação formada por policiais. A entidade compreendendo a importância do evento, teve como uma das premissas trabalhar na articulação e defesa dos princípios importantes da categoria.
Conforme o presidente do Sindpoc, Carlos Lima, o sindicato entende que chegou o momento de quebrar barreiras corporativas e derrubar dogmas autoritários, a exemplo, da forma de pensar e fazer segurança pública como um todo. “Ou seja, fazer com que essa segurança pública efetivamente sirva à sociedade, e não a governos e/ou interesses particulares e corporativistas”.
Para tanto a delegação do SINDPOC, formada por companheiros do interior e da capital, além da integração direta de representantes da sociedade civil, apresentou o tema: “A SOCIEDADE É CIVIL“. E para administrar esse tema, O SINDPOC contou com os conferencistas indicados na 1ª CONSEG Estadual: Marcos Maurício, Joseval Costa, Cláudio Lima, Marcos Santos. A articulação e mobilização foram conduzidas por Bernardino Gayoso, Eustácio Silva Filho, Marcel Ingrácio, Carlos Alberto Alves, Luiz Antunes Junior, Mario Silva Filho, Jandira Isabel de Almeida e Maria Conceição Barbuda, que interagiu na mobilização comunitária com a sociedade civil do subúrbio ferroviário de Salvador.
A 1ª CONSEG registrou mais de 4 mil participantes, tendo o maior público entre todas as conferências realizadas no Brasil. Destaque para a integração entre duas vertentes consideradas opostas no passado: A SEGURANÇA PÚBLICA E DIREITOS HUMANOS.
De acordo com Bernardino Gayoso, secretário geral do Sindpoc, a participação de representantes de todos os estados, além de delegações de observadores de outros países, a exemplo da Argentina, Timor Leste, Angola, Alemanha, Chile, entre outros, puderam comprovar as experiências brasileiras bem sucedidas na área de segurança pública aplicadas em diversas comunidades por todo o território brasileiro, a exemplo do projeto “Papo de Responsa” criado em 1988, que tem como slogan principal “A atividade policial precisa ir além da repressão”. “Esse projeto envolveu mais de 20 mil pessoas de 200 escolas públicas e privadas, hospitais, associações e igrejas”, completa Gayoso.
Na Conferência, foi disponibilizada uma sala de negócios na Feira do Conhecimento, com objetivo de aplicar boas práticas em segurança pública praticadas em todo o Brasil, e propiciar a troca de experiências. O intercambio ocorreu entre os expositores, representantes de entidades da sociedade civil e do Poder Público.
Outro ponto discutido na conferência foi sobre a “Atuação Sustentável e a Força da Cultura” como forma de fazer uma nova política de segurança publica para o povo brasileiro, dando exemplo aqui de Salvador com as oficinas de vídeos, peças teatrais, exposição de artesanato e a criação de uma orquestra formada por crianças do bairro de Itapuã.
INFRA-ESTRUTURA - Foi feito um grande esforço na Conferência para que o compromisso de mais de 600 pessoas trabalhando dia e noite desse certo, na parte de credenciamento, atendimento médico hospitalar, prevenção de incêndio, facilitadores dos debates, técnicos de informática, serviço gráfico, alimentação e achados e perdidos. Tudo isso com o objetivo de contribuir no aproveitamento dos trabalhos e propiciar conforto e praticidade aos participantes.
A SOCIEDADE CIVIL: Segmento que sempre se preocupou com o tema SEGURANÇA PÚBLICA
Não é de hoje que em todas as conferências é apresentada essa preocupação. Assim, também, na 1ª Conseg não foi diferente o comportamento da sociedade civil organizada em defender as suas representações, preocupada com atos que fere a participação de importantes movimentos tradicionais de lutas pelos Direitos Humanos, a exemplo do histórico de luta das mulheres, da juventude negra, do movimento LGBT, comunidades tradicionais de matriz africanas, pessoas com deficiências, quilombolas, indígenas, crianças e adolescentes vítimas de violência, profissionais do sexo e população encarcerada e egressos do sistema penitenciário dentre outros.
Essa preocupação surgiu depois que a sociedade civil teve conhecimento do Ato do Ministro da Justiça através do decreto nº 6.950/09, sobre a composição, estrutura, competência e funcionamento do CONASP (Conselho Nacional de Segurança Publica), que propunha uma política de exclusão dos verdadeiros representantes da sociedade civil no principal órgão de discussão de segurança no país.
Por esse motivo, o SINDPOC aliou-se a mais de 110 entidades de todo o Brasil para apoiar e publicar a CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS À 1ª CONSEG, denunciando e cobrando a participação efetiva dos representantes legítimos da sociedade civil no CONASP.
No final da Conferência, o SINDPOC e os seus representantes com o apoio da sociedade civil, reafirmaram que o documento ora finalizado e apresentado ao governo brasileiro, com Princípios e Diretrizes, tem como objetivo contribuir para reformulação das políticas de SEGURANÇA PÚBLICA no Brasil sem qualquer ranço corporativo, reforçando lutas históricas e materializando de vez o compromisso com a sociedade brasileira.