Sindicalista critica gestão
de prefeituras em delegacias
Jornal A Tarde
O secretário-geral do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindpoc), Bernardino Gayoso, disse ver “com preocupação” a ingerência das prefeituras sobre as delegacias da Polícia Civil no interior. “Ainda estamos no coronelismo. Tem agentes públicos municipais cumprindo atribuições dos policiais. Não estamos condenando o governo, até porque isso é histórico, vem de antes”, advertiu.
Todas as delegacias visitadas pela equipe de reportagem A TARDE em 11 municípios – com exceção de Jacobina, onde funciona a 16ª Coordenadoria de Polícia do Interior – são locais de trabalho de servidores das prefeituras. Em Tapiramutá (a 334 km de Salvador), o carcereiro da delegacia local,Luís CarlosQueiroz, é servidor municipal – crachá exibe a marca da gestão municipal.
“Esta é uma situação crítica. São pessoas de fora da polícia, tendo livre acesso às delegacias. No interior, você encontra até informantes com armas. Isso pode até contribuir para o desvio de materiais”, alertou Cláudio Lima, diretor jurídico do Sindpoc.
Nomeações
Segundo Gayoso, o déficit de policiais civis no interior da Bahia pode ser atenuado com a nomeação de 910 agentes já formados desde 1997. “A nossa segurança pública éumfaz de conta. Não sei o que leva o governo a não nomear essas pessoas para o trabalho. Temos que profissionalizar a polícia”, criticou.
Conforme Bernardino Gayoso, chega a 3,2 mil servidores o efetivo da instituição no interior – entre investigadores, escrivães e peritos técnicos. “Há ainda uma enxurrada de delegados ociosos na capital, muitos com um grande histórico, mas abandonados, enquanto outros só pensam em mídia”.